Tribunal de Justiça de Mato Grosso vistoriou unidade prisional e busca apoio de empresários para ampliar oportunidades de trabalho e estudo para reeducandos
Redação: Pagina do Nortão

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) realizou uma inspeção na Cadeia Pública de Campo Novo do Parecis, durante uma série de visitas a unidades prisionais do interior do Estado. A iniciativa busca conhecer de perto a realidade do sistema carcerário e encontrar alternativas para ampliar as oportunidades de trabalho e estudo oferecidas aos reeducandos.
A ação foi conduzida pelo Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF), que também esteve em unidades de Tangará da Serra e Barra do Bugres.
Segundo o supervisor do GMF, desembargador Orlando Perri, as inspeções têm como objetivo identificar as principais necessidades de cada unidade e encaminhar soluções junto aos órgãos responsáveis.
“ A nossa intenção é conhecer a realidade de cada unidade prisional, para propormos melhorias naquilo que for necessário”, explicou o desembargador.
Meta é ampliar trabalho e estudo dentro do sistema prisional
Durante as visitas, o Tribunal de Justiça também destacou as metas relacionadas ao Plano Pena Justa, que prevê a ampliação das atividades de trabalho e estudo para pessoas privadas de liberdade.
De acordo com Orlando Perri, a meta é chegar a pelo menos 30% das pessoas presas trabalhando e 30% estudando, com previsão de aumento desse percentual para 50% até 2028.
Para alcançar esses objetivos, o magistrado destacou a importância da participação da sociedade e, principalmente, do setor empresarial.
“Precisamos do apoio da sociedade e, principalmente, dos empresários”, afirmou.
A proposta é ampliar a oferta de oportunidades que possam contribuir para a qualificação profissional e para a reinserção social dos reeducandos após o cumprimento da pena.

Cadeia Pública de Campo Novo do Parecis já possui atividades de trabalho
Durante a inspeção realizada em Campo Novo do Parecis, a equipe do GMF percorreu as celas, cozinha, espaços de trabalho e estudo e outras áreas da unidade.
Os integrantes do grupo também ouviram reeducandos e profissionais que atuam no local, levantando demandas que poderão ser encaminhadas aos órgãos competentes.
A Cadeia Pública já mantém diferentes atividades voltadas ao trabalho e à capacitação, incluindo marcenaria, serralheria, costura e produção de fraldas.
Também existem oportunidades de trabalho externo e acesso à educação.
O diretor da unidade, Edivano Trindade de Souza, explicou que a intenção é ampliar cada vez mais essas possibilidades.
“Temos PPLs que trabalham na prefeitura e estamos tentando aumentar esse número. Temos também pessoas que estudam e outras que atuam na marcenaria, serralheria, fábrica de fraldas e costura. É um trabalho que a gente sempre tenta melhorar”, afirmou.
TJMT busca aproximação com empresários: Além da inspeção na cadeia pública, representantes do GMF participaram de uma reunião com integrantes do sistema de Justiça e empresários no Fórum de Campo Novo do Parecis.
Em Tangará da Serra, o diálogo com o setor produtivo também avançou em encontros com representantes do poder público e da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL).
A intenção é apresentar aos empresários as possibilidades previstas na Lei de Execução Penal e estimular a criação de novas vagas de trabalho destinadas aos reeducandos.
A participação do setor produtivo é considerada fundamental para que o número de pessoas privadas de liberdade inseridas em atividades profissionais possa crescer nos próximos anos.
Ressocialização também é tema de interesse do Nortão de Mato Grosso: A discussão sobre trabalho, estudo e ressocialização no sistema prisional também interessa diretamente ao Nortão de Mato Grosso, incluindo Colíder e municípios da região.

Embora a inspeção desta semana tenha ocorrido em Campo Novo do Parecis, Tangará da Serra e Barra do Bugres, as medidas discutidas pelo Tribunal de Justiça fazem parte de um debate mais amplo sobre segurança pública, ressocialização e reinserção social em Mato Grosso.
A criação de oportunidades de trabalho e qualificação profissional para pessoas privadas de liberdade pode contribuir para a preparação para o retorno à sociedade e para a construção de alternativas após o cumprimento da pena.
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