Redação: Pagina do Nortão/Joel de Aquino

O estado de saúde do cacique Raoni Metuktire, uma das maiores lideranças indígenas do mundo, segue mobilizando autoridades, profissionais da saúde e admiradores em todo o Brasil. Após permanecer cinco dias internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, em Sinop, no Norte de Mato Grosso, o líder indígena de 94 anos foi transferido nesta semana para o Hospital São Paulo, unidade ligada à Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
A transferência foi realizada em uma aeronave equipada para transporte médico especializado e contou com acompanhamento permanente da equipe de saúde responsável pelo tratamento de Raoni. Segundo informações do hospital mato-grossense, a medida foi adotada para garantir a continuidade da assistência em um centro de referência nacional, especialmente para o acompanhamento clínico e cirúrgico do paciente.
Desde a saída da UTI até o embarque em um hangar anexo ao Aeroporto Presidente João Batista Figueiredo, em Sinop, o cacique foi acompanhado pelo médico Douglas Yanai, integrante da equipe assistencial da unidade hospitalar.

Os exames realizados durante a internação apontaram alterações na função renal e indicadores compatíveis com um quadro infeccioso grave. A principal hipótese diagnóstica é de sepse com foco pulmonar, provocada por uma pneumonia broncoaspirativa associada a episódios de vômito.
Apesar das complicações, os profissionais de saúde destacam a resistência física e a força de recuperação do líder indígena. De acordo com o diretor técnico do hospital, Douglas Yanai, Raoni possui um histórico de superação diante de diversos desafios de saúde enfrentados ao longo dos últimos anos.
“Ele é um homem muito forte. Conhecemos e acompanhamos sua saúde há vários anos e sabemos da capacidade de recuperação que possui, embora, pela idade avançada, necessite de atenção constante”, destacou o médico.
Histórico de internações: Esta não é a primeira vez que o cacique Raoni enfrenta problemas de saúde. Em maio deste ano, ele foi internado no mesmo hospital em Sinop devido a fortes dores abdominais causadas por uma hérnia antiga. Após receber alta, voltou a apresentar complicações e precisou retornar à UTI para tratamento de pneumonia, permanecendo internado por mais sete dias.
Segundo a equipe médica, Raoni apresenta comorbidades como Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), insuficiência cardíaca e utiliza marcapasso cardíaco implantado desde 2022.
A trajetória de cuidados médicos do líder indígena também possui ligação com Colíder. Em julho de 2020, Raoni foi atendido em uma unidade hospitalar do município após apresentar complicações gastrointestinais e desidratação, sendo posteriormente transferido para Sinop por meio de transporte aéreo.

Já em setembro de 2022, após a implantação de um marcapasso cardíaco em Sinop, o líder indígena permaneceu alguns dias em Colíder antes de retornar à sua aldeia, localizada no Parque Indígena do Xingu.
Símbolo da luta indígena: Reconhecido internacionalmente pela defesa dos povos indígenas e da preservação ambiental, Raoni tornou-se um dos maiores símbolos da proteção da Amazônia e dos direitos dos povos originários. Sua trajetória ultrapassa fronteiras e faz dele uma das personalidades brasileiras mais respeitadas em nível mundial.
A transferência para São Paulo representa mais uma etapa na luta pela recuperação da saúde do líder indígena, cuja história continua inspirando gerações em Mato Grosso, no Brasil e no exterior.





