Projeto prevê três unidades geradoras, potência de 28,1 MW e ligação ao Sistema Interligado Nacional. Obras estão previstas para começar em 2027, com operação comercial estimada para 2028
SINOP — Sinop deverá receber uma nova estrutura de geração de energia elétrica movida a gás natural. O projeto de uma usina termelétrica prevê investimento inicialmente estimado em R$ 125 milhões, autorização para exploração por 35 anos e conexão ao Sistema Interligado Nacional (SIN).
A autorização foi concedida pelo Ministério de Minas e Energia após o empreendimento participar do Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência de 2026, realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).
O modelo de contratação tem como objetivo disponibilizar potência ao sistema elétrico brasileiro quando houver necessidade de geração adicional. O MME mantém o LRCAP 2026 como mecanismo de contratação de potência de empreendimentos, incluindo termelétricas movidas a gás natural.
Usina terá 28,1 MW de potência
O projeto previsto para Sinop será formado por três unidades geradoras, cada uma com potência de 9.388 kW.
Somadas, as três máquinas terão capacidade instalada de 28.164 kW, ou aproximadamente 28,1 MW.
A estrutura deverá contar ainda com uma subestação elevadora de 13,8/138 kV e uma linha de transmissão de aproximadamente 27 quilômetros, fazendo a conexão com a Subestação Sinop.
Na prática, a termelétrica fará parte da estrutura de geração disponível para o sistema elétrico nacional.
Como vai funcionar a usina a gás
A planta utilizará gás natural como combustível e deverá operar em ciclo Otto, tecnologia semelhante à utilizada em motores de combustão interna.
Diferentemente de uma usina que funciona continuamente para atender diretamente ao consumo de uma cidade, o projeto está inserido no modelo de reserva de capacidade.
Isso significa que a usina deverá permanecer disponível para ser acionada conforme as necessidades do sistema elétrico, de acordo com as regras do contrato e da operação do SIN.
Onde será construída a termelétrica em Sinop
O empreendimento está previsto para a região da MT-423, em uma área associada ao chamado Eixo Norte Parque Empresarial, onde também está instalada a base da distribuidora de combustíveis Equador.
O local tem uma relação histórica com a geração de energia em Sinop.
A área pertenceu à antiga Sinop Agroquímica, empreendimento instalado na região na década de 1980. Durante determinado período, a estrutura utilizou caldeiras para produção de energia, em uma época anterior à expansão das linhas de transmissão que passaram a atender o município.
A nova termelétrica, portanto, deverá ocupar uma área que já teve ligação com atividades industriais e de geração energética.
Investimento caiu com incentivo do REIDI
O investimento inicialmente informado para o empreendimento era de aproximadamente R$ 125,2 milhões.
Desse total, estavam previstos cerca de:
- R$ 81,5 milhões em bens;
- R$ 39,6 milhões em serviços;
- R$ 3,9 milhões em outras despesas.
Com o enquadramento do projeto no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (REIDI), houve redução dos custos tributários relacionados ao PIS/Pasep e à Cofins, levando o valor informado para aproximadamente R$ 113,6 milhões.
O MME mantém uma série de atos de 2026 relativos ao enquadramento de projetos de geração no REIDI.
Empresas envolvidas no projeto
A outorga está em nome da Energética Mato Grosso SN S.A.
Conforme as informações societárias apresentadas no projeto, a empresa reúne participação da Dislub Equador, do Grupo Urca Energia e da BYK Participações.
A participação empresarial deve ser apresentada na reportagem de forma documental, com base no ato de outorga e nos registros societários, evitando atribuir às empresas responsabilidades ou intenções que não estejam expressamente documentadas.
Quanto será pago para manter a usina disponível
O modelo contratado prevê uma remuneração mensal pela disponibilidade da potência.
Segundo os dados do projeto, o valor estimado é de aproximadamente R$ 224,5 mil por mês, o equivalente a cerca de R$ 2,6 milhões por ano.
O empreendimento também apresentou uma garantia financeira de aproximadamente R$ 6,26 milhões, exigida dentro das condições do projeto.
É importante destacar que esses valores correspondem às condições econômicas previstas na contratação e não devem ser apresentados como lucro da empresa.
Quando a obra deve começar?
O cronograma estabelece uma série de etapas antes do início da operação.
A empresa deverá comprovar, entre outras exigências, a disponibilidade de recursos e a contratação de fornecedores.
Principais prazos previstos
1º de junho de 2027: comprovação de pelo menos 20% dos recursos necessários para implantação, além de contratos relacionados aos equipamentos e ao fornecimento de combustível.
1º de setembro de 2027: previsão para obtenção das licenças ambientais necessárias.
1º de dezembro de 2027: prazo previsto para início das obras.
1º de agosto de 2028: previsão para início da geração em fase de testes.
Outubro de 2028: previsão de início da operação comercial.
Assim, caso todas as etapas sejam cumpridas dentro do cronograma, a nova estrutura de geração deverá entrar em operação comercial em 2028.
O que a usina representa para Sinop e o Nortão?
A instalação de uma termelétrica acrescenta uma nova estrutura ao sistema energético da região e coloca Sinop novamente no mapa da geração de energia em escala relevante.
Para o município, o projeto também representa a instalação de uma estrutura industrial com subestação, equipamentos de geração e uma linha de transmissão de aproximadamente 27 quilômetros.
Para o Nortão, o empreendimento ocorre em um momento de expansão econômica e industrial da região, aumentando a importância da infraestrutura de energia para novos empreendimentos.
A usina, contudo, não significa que Sinop passará a ser abastecida exclusivamente por essa geração. A planta estará conectada ao Sistema Interligado Nacional, dentro das regras de operação do setor elétrico.
Uma nova etapa na história da energia de Sinop
A futura termelétrica também resgata uma característica da história industrial do município.
Décadas atrás, a antiga Sinop Agroquímica utilizava sua estrutura industrial para produzir energia por meio de caldeiras. Agora, uma nova planta de geração, desta vez movida a gás natural e integrada ao sistema elétrico nacional, está prevista para a mesma região.
Se o cronograma for cumprido, Sinop deverá ter novamente uma usina termelétrica em operação a partir de 2028.
Os dados de investimento, participação societária, remuneração, garantias e cronograma devem ser conferidos no ato oficial de outorga, documentos da ANEEL e registros empresariais antes da publicação definitiva.




