Operação Gemini da Polícia Federal: ex-prefeito de Cláudia tem celular apreendido durante investigação sobre suposta venda de sentença

10 de junho de 2026
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Redação: Pagina do Nortão

Vereador Vilmar Giachini confirma buscas em sua residência e diz que defesa aguarda acesso aos autos; caso envolve disputa agrária na Gleba Santo Expedito

CLÁUDIA (MT) – O vereador e ex-prefeito de Cláudia, Vilmar Giachini, confirmou que foi alvo da Operação Gemini, deflagrada pela Polícia Federal, e teve seu aparelho celular apreendido durante cumprimento de mandado de busca e apreensão em sua residência. A medida foi autorizada pelo ministro João Otávio de Noronha, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), dentro de uma investigação conduzida pela Polícia Federal e pela Procuradoria da República que apura supostas irregularidades relacionadas à comercialização de decisões judiciais.

Segundo informações divulgadas, a investigação também tem como alvo o desembargador Dirceu dos Santos e outras pessoas apontadas como supostos intermediadores de um esquema envolvendo decisões judiciais.

Em entrevista, Vilmar Giachini preferiu não comentar diretamente o caso e informou que sua manifestação será feita por meio de seu advogado. O ex-prefeito admitiu possuir relação política com o deputado estadual Faissal Calil, também citado na investigação, mas afirmou não conhecer pessoalmente o desembargador investigado.

Disputa fundiária envolvendo área da Gleba Santo Expedito está entre os fatos investigados.

Defesa afirma que caso envolve disputa de área rural: O advogado Ricardo Huck, responsável pela defesa de Vilmar Giachini, informou que ainda aguarda acesso completo aos autos da investigação. Segundo ele, a única informação disponível até o momento é que a denúncia teria sido apresentada pelo presidente da Associação dos Trabalhadores Rurais da Gleba Santo Expedito, localizada no município de Cláudia.

De acordo com Huck, o processo está relacionado a uma empresa da qual Vilmar atua como procurador. A defesa sustenta que a área em disputa foi adquirida em 1985 e destinada a manejo florestal sustentável, atividade regulamentada por legislação federal.

O advogado relatou que a área teria sido invadida por integrantes da Gleba Santo Expedito em diferentes ocasiões, resultando em diversas disputas judiciais ao longo dos anos. Ainda segundo a defesa, houve decisões favoráveis e desfavoráveis em diferentes instâncias, até que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso reconheceu o direito de reintegração de posse da empresa.

No entanto, a efetivação da reintegração ainda não ocorreu em razão de procedimentos determinados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para casos envolvendo conflitos fundiários coletivos.

Mandados da Operação Gemini foram autorizados pelo ministro João Otávio de Noronha, do STJ.

Investigação cita suposto pagamento de R$ 1 milhão: Conforme consta na medida cautelar autorizada pelo STJ, a investigação teve origem em denúncia encaminhada à Procuradoria da República pelo presidente da Associação dos Trabalhadores Rurais da Gleba Santo Expedito.

A denúncia relata um suposto pagamento de R$ 1 milhão que teria sido destinado ao favorecimento de uma empresa em um processo de reintegração de posse relacionado à área rural em disputa.

Segundo os investigadores, a ação possessória havia sido julgada improcedente em primeira instância, mantendo a posse das famílias assentadas. Entretanto, após tramitação em segunda instância, o recurso teria sido julgado favoravelmente à empresa interessada.

A Polícia Federal apura se houve irregularidades na distribuição do processo dentro do Tribunal de Justiça de Mato Grosso e se agentes públicos e privados teriam participado de eventual esquema para direcionamento e favorecimento de decisões judiciais.

Faissal Calil nega envolvimento: O deputado estadual Faissal Calil, que também foi alvo de mandado de busca e apreensão durante a Operação Gemini, divulgou nota negando qualquer participação em suposto esquema de venda de sentenças.

Até o fechamento desta reportagem, o desembargador Dirceu dos Santos não havia se pronunciado publicamente sobre as investigações.

As apurações seguem sob responsabilidade da Polícia Federal e da Procuradoria da República. Os investigados têm garantido o direito à ampla defesa e ao contraditório durante o andamento do processo.

Portal Página do Nortão – Informação com credibilidade para Colíder, o Nortão de Mato Grosso e toda a região.

 

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