Redação: Pagina do Nortão

Vereador Vilmar Giachini confirma buscas em sua residência e diz que defesa aguarda acesso aos autos; caso envolve disputa agrária na Gleba Santo Expedito
CLÁUDIA (MT) – O vereador e ex-prefeito de Cláudia, Vilmar Giachini, confirmou que foi alvo da Operação Gemini, deflagrada pela Polícia Federal, e teve seu aparelho celular apreendido durante cumprimento de mandado de busca e apreensão em sua residência. A medida foi autorizada pelo ministro João Otávio de Noronha, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), dentro de uma investigação conduzida pela Polícia Federal e pela Procuradoria da República que apura supostas irregularidades relacionadas à comercialização de decisões judiciais.
Segundo informações divulgadas, a investigação também tem como alvo o desembargador Dirceu dos Santos e outras pessoas apontadas como supostos intermediadores de um esquema envolvendo decisões judiciais.
Em entrevista, Vilmar Giachini preferiu não comentar diretamente o caso e informou que sua manifestação será feita por meio de seu advogado. O ex-prefeito admitiu possuir relação política com o deputado estadual Faissal Calil, também citado na investigação, mas afirmou não conhecer pessoalmente o desembargador investigado.

Defesa afirma que caso envolve disputa de área rural: O advogado Ricardo Huck, responsável pela defesa de Vilmar Giachini, informou que ainda aguarda acesso completo aos autos da investigação. Segundo ele, a única informação disponível até o momento é que a denúncia teria sido apresentada pelo presidente da Associação dos Trabalhadores Rurais da Gleba Santo Expedito, localizada no município de Cláudia.
De acordo com Huck, o processo está relacionado a uma empresa da qual Vilmar atua como procurador. A defesa sustenta que a área em disputa foi adquirida em 1985 e destinada a manejo florestal sustentável, atividade regulamentada por legislação federal.
O advogado relatou que a área teria sido invadida por integrantes da Gleba Santo Expedito em diferentes ocasiões, resultando em diversas disputas judiciais ao longo dos anos. Ainda segundo a defesa, houve decisões favoráveis e desfavoráveis em diferentes instâncias, até que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso reconheceu o direito de reintegração de posse da empresa.
No entanto, a efetivação da reintegração ainda não ocorreu em razão de procedimentos determinados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para casos envolvendo conflitos fundiários coletivos.

Investigação cita suposto pagamento de R$ 1 milhão: Conforme consta na medida cautelar autorizada pelo STJ, a investigação teve origem em denúncia encaminhada à Procuradoria da República pelo presidente da Associação dos Trabalhadores Rurais da Gleba Santo Expedito.
A denúncia relata um suposto pagamento de R$ 1 milhão que teria sido destinado ao favorecimento de uma empresa em um processo de reintegração de posse relacionado à área rural em disputa.
Segundo os investigadores, a ação possessória havia sido julgada improcedente em primeira instância, mantendo a posse das famílias assentadas. Entretanto, após tramitação em segunda instância, o recurso teria sido julgado favoravelmente à empresa interessada.
A Polícia Federal apura se houve irregularidades na distribuição do processo dentro do Tribunal de Justiça de Mato Grosso e se agentes públicos e privados teriam participado de eventual esquema para direcionamento e favorecimento de decisões judiciais.
Faissal Calil nega envolvimento: O deputado estadual Faissal Calil, que também foi alvo de mandado de busca e apreensão durante a Operação Gemini, divulgou nota negando qualquer participação em suposto esquema de venda de sentenças.
Até o fechamento desta reportagem, o desembargador Dirceu dos Santos não havia se pronunciado publicamente sobre as investigações.
As apurações seguem sob responsabilidade da Polícia Federal e da Procuradoria da República. Os investigados têm garantido o direito à ampla defesa e ao contraditório durante o andamento do processo.
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