Por Joel de Aquino

Nos últimos dias, Mato Grosso voltou a ser palco de situações que não podem mais ser tratadas como “casos isolados”. O que estamos vendo é algo mais profundo — e preocupante: a naturalização da violência, inclusive dentro da política.
A deputada federal Gisela Simona trouxe à tona denúncias graves envolvendo um vereador do Nortão, acusado de violência doméstica contra a própria esposa. Um caso que, por si só, já exige investigação rigorosa e punição exemplar, caso seja comprovado.
Mas o problema não para por aí.

Em outro episódio, declarações desrespeitosas e ataques pessoais contra prefeitas em municípios mato-grossenses levantaram um debate ainda maior: até onde vai a liberdade de expressão de um agente público? E em que momento isso se transforma em violência política de gênero?
É preciso dizer com todas as letras: não é opinião, não é discurso político — é violência.
Quando um vereador utiliza palavras ofensivas, atinge a honra de uma mulher ou tenta desqualificá-la pelo simples fato de ser mulher, ele não está fazendo política. Está ultrapassando os limites do respeito, da ética e da própria função pública.
E isso precisa ter consequência.
A política não pode ser abrigo para comportamentos que, fora dela, seriam amplamente repudiados. Muito menos pode servir de escudo para quem agride — seja dentro de casa ou no plenário de uma Câmara Municipal.
O que se espera das instituições é uma resposta clara:
- investigação séria
- posicionamento dos partidos
- atuação firme do Legislativo
- e, quando necessário, cassação de mandato
Porque o silêncio também é uma forma de conivência.
Não se trata de perseguição política. Trata-se de responsabilidade. Quem ocupa um cargo público precisa entender que representa a população — e isso inclui dar exemplo.
Casos como esses não atingem apenas as vítimas diretas. Eles ferem toda a sociedade, especialmente as mulheres que ainda enfrentam diariamente o preconceito, o desrespeito e a violência.
Se queremos uma política mais justa, mais humana e mais respeitosa, precisamos começar pelo básico: não tolerar o intolerável.

A pergunta que fica é simples — e incômoda: que tipo de representantes estamos dispostos a aceitar?
Joel de Aquino
Jornalista | Página do Nortão | Web Rádio Pioneira




