Violência Policial: Indígenas Pataxó e Pataxó-Hãhãhãe São Agredidos Durante o Carnaval

Violência Policial: Indígenas Pataxó e Pataxó-Hãhãhãe São Agredidos Durante o Carnaval

Fonte: Conselho Missionario Indigenista – Pagina do Nortão
Foto – Reprodução
Ação truculenta da Polícia Militar mineira deixa pelo menos 16 indígenas feridos; cenas de violência expõem despreparo da corporação

Durante o feriado de Carnaval, indígenas dos povos Pataxó e Pataxó-Hãhãhãe foram vítimas de agressões por parte da Polícia Militar de Minas Gerais (PM-MG) enquanto participavam das festividades. O episódio de violência reflete uma preocupante frequência de ações abusivas da PM no estado, especialmente contra comunidades tradicionais e povos indígenas.

Na noite do sábado (1/3), indígenas das aldeias Katurama e Naõ Xohã, localizadas em Brumadinho (MG), foram alvo de uma abordagem truculenta. A PM utilizou gás de pimenta e agressões físicas de forma desproporcional. O caso mais grave envolveu um homem indígena que, mesmo algemado e imobilizado, continuou sendo violentado. Outras cinco lideranças foram presas na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) enquanto recebiam cuidados médicos. Entre os agredidos está o cacique Arakuãn e mais de 15 pessoas, incluindo mulheres e crianças, que relataram ofensas preconceituosas e racistas por parte dos policiais. Além disso, algumas vítimas permaneceram em cárcere privado, enquanto outras foram intimidadas pelos agentes mesmo hospedadas em pousadas na cidade.

No mesmo dia, em Juiz de Fora (MG), foliões foram atingidos por spray de pimenta disparado por policiais durante um bloco de Carnaval na Praça Antônio Carlos. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram pessoas desmaiadas e recebendo socorro. A artista trans e organizadora do evento, MC Xuxu, foi detida junto a um homem trans de 31 anos, também organizador do bloco. Ambos foram liberados na madrugada do dia 2 de março sob protestos da comunidade LGBTQIA+.

Repercussão e Nota de Repúdio

A prefeitura de Juiz de Fora classificou a ação policial como “violência desproporcional”, destacando que muitos foliões precisaram de atendimento médico devido ao uso excessivo do gás de pimenta. Em Brumadinho, a administração municipal também repudiou as agressões aos indígenas e afirmou estar em contato com os povos afetados e as forças de segurança para buscar soluções.

A Arquidiocese de Belo Horizonte, através do arcebispo dom Walmor Oliveira de Azevedo, cobrou apuração rigorosa sobre as agressões, destacando que “ataques contra indígenas, inclusive contra crianças, idosos e mulheres, são inaceitáveis e devem ser tratados com urgência pela sociedade”. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) Regional Leste 2 também manifestou repúdio a qualquer forma de violência e cobrou uma investigação imparcial dos fatos.

Diversas organizações da sociedade civil, incluindo as Pastorais Sociais, parlamentares e representantes do Ministério dos Povos Indígenas, demonstraram solidariedade com os afetados e cobraram providências urgentes para evitar novas violações de direitos.

Histórico de Violência Contra Indígenas

Os ataques a indígenas em Minas Gerais não são casos isolados. Em dezembro de 2023, a PM matou o jovem Alisson Lacerda Abreu, de 25 anos, do povo Xakriabá, durante uma abordagem violenta na aldeia Tenda, em São João das Missões. A polícia utilizou spray de pimenta contra mulheres, gestantes e crianças, levando a uma revolta no local. Alisson foi atingido por um tiro e morreu após ser socorrido. No dia seguinte, a PM invadiu a comunidade e prendeu ilegalmente sete indígenas, mantendo-os em cárcere privado por um dia inteiro.

Diante desse histórico de violência recorrente, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) manifestou solidariedade às vítimas e pediu responsabilização dos envolvidos. A entidade também cobrou das autoridades providências para que esses casos sejam devidamente apurados e que se ponha fim à impunidade.

Os episódios de Brumadinho e Juiz de Fora reforçam a necessidade de um debate urgente sobre o uso da força policial no Brasil, especialmente no trato com comunidades vulneráveis, como os povos indígenas e a população LGBTQIA+. A sociedade civil segue mobilizada para que essas agressões não se tornem ainda mais frequentes e para que a violência institucional não se normalize.

Fonte: Conselho Missionario Indigenista – Pagina do Nortão

 

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