Por: Joel de Aquino – Pagina do Nortão

Foto – Reprodução
Cemitérios privados avançam no Mato Grosso e valores assustam famílias do Nortão**
A discussão sobre a possível privatização ou concessão de serviços cemiteriais voltou com força no Mato Grosso — especialmente no Nortão. E, enquanto isso, cresce uma dúvida central: quanto uma família teria que pagar para sepultar um ente querido em um cemitério privado?
A realidade dos cemitérios privados em MT
Nos últimos anos, o estado passou a adotar novos modelos de gestão, permitindo que empresas privadas ou concessionárias administrem cemitérios e ofereçam serviços diferenciados — desde jazigos “jardins” até espaços considerados “VIP”.
Em cidades do Nortão, como Sinop e Alta Floresta, já existem projetos consolidados ou em andamento:
Sinop: Parque Memorial Sinop
- Previsto para mais de 100 mil sepulturas.
- Inclui áreas gramadas, setor premium e estrutura moderna.
- Operado via concessão privada.
Alta Floresta: projeto pioneiro
- Cemitério privado no estilo americano.
- Sepulturas padronizadas, placas de bronze e crematório.
- Primeiro modelo do tipo na região.
Esses projetos mostram que a tendência avança — e rapidamente.
Mas afinal… quanto custa sepultar em um cemitério privado?
Os valores variam conforme o município e o tipo de jazigo, mas dados recentes mostram que os custos podem ser altos, especialmente para famílias de baixa renda.
No Mato Grosso (média geral):
- Funeral básico: R$ 3.000
- Serviços completos: podem chegar a R$ 21.700, dependendo do caixão, velório e taxas.
Já o jazigo — o maior custo:
- Locação por 3 anos: ~R$ 4.400
- Renovação anual: ~R$ 1.900
- Jazigo perpétuo: até R$ 47.800 em cemitérios privados de MT.
Além disso, há taxas adicionais para:
- Abertura e fechamento da sepultura
- Manutenção
- Administração
- Transferências
- Perpetuações
O impacto no bolso das famílias
No Nortão, onde boa parte da população é trabalhadora e de renda moderada, a preocupação é real.
Privatizar significa encarecer?
Segundo muitos especialistas: sim.
Isso porque:
- A empresa privada investe alto em estrutura e repassa esses valores ao consumidor.
- Há menos subsídio público.
- Serviços extras se tornam obrigatórios.
- Modelos “parque” exigem manutenção constante.
Ou seja: quem antes pagava quase nada em um cemitério público pode ter que desembolsar milhares em um privado.
O que isso significa para cidades como Colíder?
Em municípios que estudam concessões, modernizações ou privatizações, é fundamental que haja clareza sobre:
- Quanto custará para as famílias mais pobres.
- Se haverá áreas sociais ou gratuitas.
- Se o município manterá responsabilidade sobre indigentes.
- Se os preços serão regulados.
Sem isso, o sepultamento pode se tornar um peso financeiro insuportável.
Conclusão

O avanço dos cemitérios privados no Mato Grosso não é apenas uma mudança administrativa — é uma transformação profunda que afeta diretamente o bolso das famílias.
E diante dos valores já praticados em outros municípios, o debate precisa ser transparente, social e muito bem explicado.
Se cemitérios privados forem implantados no Nortão, como já ocorre em Sinop e Alta Floresta, é essencial garantir que ninguém fique sem um local digno para seus entes queridos por não ter condições de pagar.
Compromisso do Página do Nortão
O Página do Nortão continuará acompanhando de perto o desenrolar desse debate e o avanço dos projetos de modernização ou privatização de cemitérios no estado.
Nossa equipe seguirá pesquisando, ouvindo especialistas, autoridades e a comunidade, para manter a população sempre bem informada sobre qualquer mudança que possa impactar a vida — e a dignidade — das famílias do Nortão.
Por: Joel de Aquino – Pagina do Nortão




