Participação do secretário de Meio Ambiente em workshop gera polêmica em Colíder, mas especialistas apontam relevância diante da crise da UHE Colíder

23 de abril de 2026
ELIAEL MOTA CAPA

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Por:Joel de Aquino – Pagina do Nortão

A participação do secretário municipal de Meio Ambiente de Colíder, Eliel Mota, no 1º Workshop Estadual sobre Segurança de Barragens – MT, realizado em 17 de junho em Tangará da Serra, gerou polêmica na cidade. O motivo do debate foi o pagamento de diárias para custear a viagem do gestor, o que levantou questionamentos sobre os reais benefícios do evento para o município.

No entanto, diante do atual cenário envolvendo a Usina Hidrelétrica de Colíder (UHE Colíder), a discussão ganha novas camadas de relevância.

 Crise na barragem da UHE Colíder: Construída pela Copel e recentemente vendida para a Petrobras, a usina entrou em estado de alerta em agosto, após a identificação de avarias em parte do sistema de drenagem da barragem. Segundo a empresa, dos 70 drenos avaliados, quatro apresentaram falhas, elevando a vazão hídrica acima do normal. Como medida preventiva, foi necessário reduzir o nível do reservatório em até 17 metros.

A decisão teve consequências graves: mortandade de peixes, prejuízos à pesca e ao turismo regional, além de afetar ribeirinhos e comprometer dois importantes eventos turísticos do Norte de Mato Grosso — o Fest Praia, em Paranaíta, e o Viva Floresta, em Alta Floresta.

O caso mobilizou o Ministério Público Estadual, o Ministério Público Federal e órgãos ambientais, além de provocar reação política. Deputados estaduais defendem a criação de uma CPI na Assembleia Legislativa para investigar os impactos da usina. O deputado Wilson Santos também solicitou uma audiência pública que deverá acontecer em Colider, para debater os efeitos da redução do nível da água e discutir medidas emergenciais de compensação aos municípios atingidos.

O que Colíder ganha com o workshop: Neste contexto, a presença do secretário Eliel Mota no workshop pode ser vista como um investimento estratégico. O evento reuniu especialistas da SEMA-MT, IBAPE-MT, CREA-MT e universidades, com discussões técnicas sobre legislação, fiscalização e medidas de segurança em barragens.

Entre os possíveis benefícios para Colíder estão:

Atualização técnica sobre segurança de barragens, tema central para o município diante da situação da UHE Colíder;

Capacitação para implementar políticas locais de monitoramento e prevenção de riscos;

Parcerias institucionais com órgãos estaduais e técnicos que podem auxiliar o município;

Proteção ambiental e social, reduzindo riscos de novos desastres e fortalecendo medidas de compensação.

Os questionamentos sobre as diárias: Apesar disso, críticos argumentam que o custo das diárias poderia ter sido evitado, já que o município enfrenta limitações orçamentárias. Há também o receio de que os conhecimentos adquiridos não sejam aplicados de forma prática, ficando restritos ao discurso. Mas é bom lembrar que os quase 17 mil recebido por Eliel Mota não se referem apenas ao evento de Tangara da Serra, é a somatória de diversos cursos, encontros e treinamentos realizado durante o ano.

O saldo da polêmica: De um lado, a população questiona se o gasto com diárias para essas ações foi realmente necessário. De outro, algumas pessoas defendem que a presença do secretário em debates técnicos é fundamental em um momento em que Colíder e toda a região sofrem os reflexos diretos da crise na UHE Colíder.

O desafio, agora, é transformar a participação no workshop em resultados concretos, garantindo que o investimento feito traga melhorias reais para a gestão ambiental e segurança da população.

 

Por:Joel de Aquino – Pagina do Nortão