O MP afirma que durante as eleições municipais de 2024 houve transporte irregular de eleitores indígenas, pagamento de combustível e distribuição de frangos congelados como forma de obter votos
Por: Flávia Borges
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O Ministério Público (MP) pediu, nesta terça-feira (17), a cassação do mandato do prefeito de Brasnorte, Edelo Marcelo Ferrari, e da vice-prefeita, Roseli Borges de Araújo Gonçalves, por suposta compra de votos e aliciamento de indígenas para transferência irregular de títulos eleitorais. A ação também solicita aplicação de multa e a inelegibilidade dos envolvidos por oito anos.
Na denúncia, o MP afirma que durante as eleições municipais de 2024 houve transporte irregular de eleitores indígenas, pagamento de combustível e distribuição de frangos congelados como forma de obter votos. A investigação, que contou com a quebra de sigilo bancário, revelou transferências de dinheiro para lideranças indígenas e contratação de ônibus para transporte de eleitores.
Ônibus, frangos e combustível
Um dos principais pontos da denúncia envolve a contratação de ônibus para transportar indígenas da etnia Enawene Nawe até Brasnorte nos dias que antecederam a votação. Segundo o MP, o pagamento teria sido intermediado por João Gomes da Silva Júnior, servidor municipal, enquanto a contratação foi feita pelo subsecretário de Infraestrutura, Rogério Gonçalves.
Além disso, a quebra de sigilo bancário revelou que, no dia seguinte às eleições, Rogério teria quitado dívidas de combustíveis nos postos Vitória, em Brasnorte, e Figueira, em Juína, totalizando R$ 1.309. O MP aponta ainda que foram feitas transferências bancárias no valor de R$ 4.630 a indígenas, que, segundo os promotores, serviram como benefício em troca de votos.
A denúncia relata ainda a distribuição de frangos congelados como recompensa no dia da votação. De acordo com depoimentos colhidos informalmente, indígenas teriam recebido os alimentos após o retorno à aldeia. Imagens anexadas à investigação mostram eleitores chegando com sacolas, supostamente contendo os produtos.
Transferência irregular de títulos
Outro ponto levantado pela ação é o aliciamento de indígenas para a transferência de domicílio eleitoral de Juína, Comodoro e Sapezal para Brasnorte. Segundo a denúncia, o processo teria sido incentivado com promessas de vantagens, como conserto de veículos e distribuição de medicamentos.
O MP destaca que, em novembro de 2023, um ônibus foi fretado para transportar indígenas com o objetivo de alterar o local de votação. A contratação do transporte teria sido realizada pelos filhos do vereador Gilmar Celso Gonçalves, Alexandre Augusto e Júnior Augusto.
A transferência de 107 eleitores da etnia, com baixo índice de abstenção (10,28%), teria influenciado diretamente no resultado da eleição. Segundo o MP, o prefeito Edelo venceu por uma diferença de 155 votos sobre o segundo colocado, com 88 indígenas comparecendo às urnas em Brasnorte.
O lado do prefeito
O prefeito Edelo Ferrari se manifestou em suas redes sociais negando as acusações. No post, ele declarou:“Sigo com tranquilidade, pois sei que não cometi nenhum crime eleitoral e tão pouco praiquei ou participei de qualquer ato irregular.”
Ferrari afirmou que seus advogados estão analisando a ação e reafirmou seu compromisso com a integridade do processo eleitoral. Ele também destacou que deseja uma “apuração minuciosa com transparência total”