Gilmar Mendes quer julgar Bolsonaro em 2025 para evitar “tumulto” nas eleições de 2026

Gilmar Mendes quer julgar Bolsonaro em 2025 para evitar “tumulto” nas eleições de 2026

(Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF)

Em entrevista, o ministro destacou detalhes da investigação da PF sobre a trama golpista

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta segunda-feira (20) que espera julgar a denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe ainda em 2025, informa o Valor Econômico. Na avaliação de Mendes, o julgamento de Bolsonaro e seus aliados em 2025 evitaria “tumultos” nas eleições presidenciais de 2026.

Em entrevista ao veículo “Brasil Confidencial”, o ministro disse que o julgamento sobre a tentativa de golpe não deve demorar para acontecer e que, caso surjam novos acusados, as denúncias podem ser fatiadas.

Sobre o relatório feito pela Polícia Federal sobre a tentativa de golpe, Gilmar disse que a investigação foi “extremamente bem-feita”. “Tudo impressiona”, disse sobre os detalhes da investigação conduzida pela PF. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, ainda analisa o relatório da PF e decidirá se apresentará denúncia, pedirá arquivamento ou requisitará investigações complementares.

Na opinião do ministro, um dos pontos que mais impressionou na trama golpista foi o vídeo da reunião ministerial de 5 de julho de 2022, onde o ex-presidente Bolsonaro e seus ministros discutem abertamente um possível golpe, incluindo a tentativa de constranger ministros do STF. “Fiquei particularmente impressionado com a reunião em que altas figuras da república falaram abertamente de constranger ministros do STF”, afirmou Mendes.

Ele citou como exemplo o caso do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que, segundo Mendes, simbolizou um “grande desastre” ao ser designado para comandar a pasta no período crítico da pandemia de Covid-19. “Foi uma grande irresponsabilidade”, disse Mendes, que, por outro lado, elogiou a “atitude responsável” dos comandos militares ao rejeitarem o golpe.

O ministro também comentou sobre a decisão de Moraes de não liberar o passaporte de Bolsonaro para que o ex-presidente viajasse para a posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos.  Mendes afirmou que Moraes preferiu “não correr risco” diante de um tema “delicado” e que o momento de oferecer a denúncia estava próximo. “Estamos às vésperas de um eventual oferecimento de denúncia nesse tema, é um tema delicado, buliçoso, e ele [Moraes] preferiu não correr risco”, explicou.

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