Fonte: Pagina do Nortão – Joel de Aquino

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Por mais de três horas, a Câmara Municipal de Colíder foi palco de uma audiência pública marcada por cobranças, denúncias e apreensão em torno da Usina Hidrelétrica de Colíder (UHE). Convocada pela Assembleia Legislativa, a reunião discutiu os prejuízos provocados pelo rebaixamento emergencial do reservatório do rio Teles Pires.
A medida, tomada após a descoberta de falhas em drenos da barragem, afetou diretamente o turismo, a pesca e a economia regional, além de gerar preocupação sobre a segurança da estrutura.
Turismo em queda e comércio em crise: O prefeito Rodrigo Benassi foi direto: “Colíder virou referência no turismo nacional, mas hoje o lago perdeu força. Só na arrecadação, a cidade deixa de receber cerca de R$ 100 mil por mês, e Itaúba mais de R$ 400 mil. A decisão de priorizar a segurança foi correta, mas os prejuízos precisam ser compensados”.
Empresários confirmaram o cenário de perdas. Luiz Fernando Galan, dono de pousada, contou que teve de cancelar reservas de clientes já com passagens compradas. O comerciante Zezão Pescador, que há 28 anos vive da venda de iscas, relatou queda drástica: de 50 mil para menos de 2 mil unidades vendidas por mês.
Pressão política aumenta: O deputado Wilson Santos (PSD) afirmou que as respostas da Eletrobrás foram insuficientes e defendeu a criação de uma CPI para aprofundar as investigações. “Mato Grosso não pode exportar energia à custa de atropelar o meio ambiente e desrespeitar comunidades. Quem teve prejuízo precisa ser reparado”.
O deputado Diego Guimarães reforçou: “As explicações da empresa foram vazias. Já reunimos as assinaturas necessárias e vamos apresentar o pedido da CPI na próxima sessão”.
Ministério Público em alerta: A promotora Graziella Salina Ferrari destacou que perícia técnica já havia apontado falhas graves no sistema de drenagem desde 2022, elevadas para nível de alerta em 2025. “Requisitamos ações emergenciais, planos de contingência e caução de valores para reparação. O acompanhamento será rigoroso”.
O procurador Gerson Barbosa acrescentou que a transparência é fundamental: “A população tem direito à informação clara sobre riscos ambientais e sociais. A Eletrobrás precisa assumir sua responsabilidade”.
O que diz a Eletrobrás: Por videoconferência, os diretores Bruno Eustáquio de Carvalho (Institucional) e Jander Fernandes (Licenciamento) garantiram que os principais pontos de falha já foram corrigidos e que não haverá novo rebaixamento do lago. Também confirmaram o início do ressarcimento emergencial às famílias e empreendedores prejudicados.


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Fonte: Pagina do Nortão – Joel de Aquino




