Mulheres afirmam que receberam trabalho no Legislativo e, posteriormente, teriam sido alvo de abordagens de cunho sexual; casos estão sob investigação da Polícia Civil
Por Joel de Aquino | Página do Nortão
Colíder | 22 de setembro de 2026

Duas mulheres procuraram a Polícia Civil para registrar boletins de ocorrência contra o vereador de Sinop Marcos Vinicius Borges (PSDB), relatando supostas investidas de natureza sexual, ameaças e situações envolvendo imagens íntimas.
Os relatos, segundo documentos divulgados por veículos de imprensa e atribuídos aos boletins de ocorrência, apresentam pontos semelhantes: as denunciantes afirmam que passaram a trabalhar na Câmara Municipal de Sinop após conhecerem o parlamentar e que, posteriormente, teriam recebido propostas ou abordagens de natureza sexual. As duas também relatam que deixaram os respectivos empregos após recusarem situações que atribuem ao vereador.
Importante: os fatos são objeto de investigação e, até o momento, as acusações apresentadas pelas denunciantes não equivalem a uma conclusão judicial sobre responsabilidade criminal.
Uma das mulheres relata viagem e situações de natureza sexual: Em um dos registros policiais, a denunciante afirma que conheceu Marcos Vinicius em outubro e que, em dezembro de 2025, teria recebido uma oportunidade de trabalho na Câmara de Sinop.
Segundo o relato registrado no boletim, posteriormente o vereador teria exercido influência sobre ela e a convencido a viajar para o Rio de Janeiro.
A mulher afirma que, durante a viagem, participou de encontros de natureza sexual e que teria sido submetida a situações com as quais não concordava. Ela também relata que o parlamentar teria utilizado o telefone celular para registrar imagens.
Ainda conforme o relato, depois de decidir não continuar com os encontros, ela teria perdido o emprego.

Segunda denúncia apresenta relato semelhante: Em outro boletim de ocorrência, uma segunda mulher afirma que conheceu o vereador meses antes de começar a trabalhar na Câmara.
Segundo ela, inicialmente Marcos Vinicius teria deixado claro que não pretendia manter relacionamento com ela. Posteriormente, entretanto, o comportamento teria mudado, com comentários e propostas de natureza sexual.
A denunciante relata ainda conversas sobre fetiches, convites para viagens ao Rio de Janeiro e a apresentação, pelo parlamentar, de imagens relacionadas a outros relacionamentos.
Ela também afirma que um amigo do vereador, que trabalharia na Câmara, teria feito ameaças e investidas de cunho sexual.
Relato aponta episódio dentro da Câmara: Na entrevista que tornou pública a denúncia, divulgada pelo Pauta Livre MT, a mulher apresentou outros detalhes.
Segundo o relato, o amigo do vereador teria entrado na sala onde ela estava sozinha e feito uma abordagem de natureza sexual.
A denunciante afirma que o homem teria segurado sua perna e dito que sua contratação faria parte de um “jogo”, envolvendo a possibilidade de relacionamento sexual entre os três.
A versão apresentada pela mulher também consta em reportagens publicadas sobre o caso.
Supostas gravações e ameaça de divulgação: Outro ponto relatado pela denunciante envolve uma relação sexual que, segundo ela, ocorreu em um imóvel onde havia uma câmera de segurança.
A mulher afirma que desconhecia a existência do equipamento e que não autorizou qualquer gravação.
Ainda conforme seu relato, depois que decidiu encerrar a relação, teria recebido ameaças relacionadas à possível divulgação de imagens íntimas.
“Em nenhum momento isso foi consensual”, afirmou a denunciante durante a entrevista divulgada pelo Pauta Livre MT.
A alegação de gravações não autorizadas também foi reproduzida por outros veículos que noticiaram o caso nesta semana.
Polícia Civil investiga as denúncias: Os casos foram registrados na Polícia Civil de Sinop, que deverá apurar as circunstâncias narradas pelas denunciantes e reunir eventuais provas, documentos, mensagens, imagens e depoimentos relacionados aos fatos.
Neste momento, portanto, é importante diferenciar denúncia, investigação e condenação. O registro de um boletim de ocorrência dá início a uma apuração, mas não representa, por si só, comprovação definitiva das acusações.

O que diz o vereador: Procurado sobre as acusações, Marcos Vinicius classificou o caso como “sensacionalismo” e afirmou que já tomou medidas judiciais contra as mulheres e contra o jornalista que, segundo ele, estaria divulgando as acusações.
O vereador também relacionou a repercussão do caso ao cenário político de 2026 e afirmou que disputa uma vaga na Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
Marcos Vinicius é candidato a deputado estadual pelo PSDB nas eleições de 2026, conforme listas eleitorais publicadas com base nos dados do Tribunal Superior Eleitoral.
Em nota, o parlamentar também afirmou que pretende divulgar um vídeo nas redes sociais para apresentar sua versão sobre o episódio e fazer acusações de natureza política contra adversários.
Caso ganha repercussão no Nortão: Embora os fatos relatados tenham como cenário principal o município de Sinop, a repercussão alcança todo o Nortão de Mato Grosso, especialmente porque o vereador participa da disputa eleitoral de 2026 para uma vaga na Assembleia Legislativa.
O episódio também ocorre em um ambiente político já marcado por disputas públicas entre candidatos da região. Nas últimas semanas, Marcos Vinicius e outros concorrentes ao cargo trocaram acusações nas redes sociais, inclusive com decisões da Justiça Eleitoral relacionadas a conteúdos publicados durante a campanha.
Para leitores de Colíder e dos demais municípios do Nortão, o caso ganha relevância justamente por envolver um agente político de Sinop que busca representar a região no Legislativo estadual.

Investigação deverá esclarecer responsabilidades: As denúncias ainda dependem de apuração pelas autoridades competentes. Eventuais mensagens, gravações, testemunhos, documentos funcionais e outros elementos de prova deverão ser analisados durante a investigação.
O Página do Nortão acompanhará o caso e atualizará a reportagem caso a Polícia Civil, o Ministério Público, a Justiça ou os envolvidos apresentem novas informações oficialmente documentadas.
O vereador nega as acusações e afirma que adotou medidas judiciais contra os responsáveis pela divulgação das denúncias. As mulheres, por sua vez, sustentam os relatos apresentados à Polícia Civil. Fotos: Reprodução (web)





