MPMG inclui concurso da Câmara de Colíder entre certames analisados na Operação “A Porta É Larga”; legislativo já havia cancelado o certame por descumprimento contratual da empresa organizadora
Redação: Pagina do Nortão

COLÍDER — O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) confirmou que o Concurso Público nº 001/2026 da Câmara Municipal de Colíder está entre os certames organizados pela empresa CAP Concursos que passaram a ser analisados no âmbito da Operação “A Porta É Larga”. A operação foi deflagrada em 21 de julho de 2026 para apurar suspeitas de fraude no concurso da Câmara de Minduri (MG), com quatro mandados de busca e apreensão e dois de prisão preventiva cumpridos.
Segundo o MPMG, a investigação apura possível manipulação de resultados para beneficiar candidatos específicos. A partir dos elementos obtidos em Minduri, o órgão passou a verificar se o mesmo modelo de atuação teria se repetido em outros concursos organizados pela empresa — entre eles, o de Colíder, além de outros municípios de Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo.
Colíder não foi apontada como caso de fraude: É preciso fazer uma distinção importante: até o momento, o MPMG não afirmou que houve fraude no concurso de Colíder. O município aparece entre os certames que serão analisados para verificar se houve ou não reprodução do esquema investigado em Minas Gerais — o que não significa, por si só, que tenha sido encontrada irregularidade local. Investigação não é condenação, e não há base para afirmar que candidatos foram beneficiados ou prejudicados.
O cancelamento pela Câmara: Paralelamente à investigação mineira, a Câmara de Colíder já havia decidido cancelar o concurso. A Portaria nº 035/2026 determinou o cancelamento do certame e a extinção unilateral do contrato com a CAP Concursos por descumprimento contratual. Procurada pela reportagem, a Câmara confirmou que a decisão foi tomada após a banca organizadora não divulgar os resultados preliminares das provas objetiva e prática dentro do prazo previsto no edital, o que comprometeu o cronograma das etapas seguintes. A Câmara também determinou a preservação da documentação do certame e a adoção das providências administrativas cabíveis.

O que o MPMG está investigando: A apuração começou após indícios de possível comercialização de aprovação no concurso de Minduri, com manipulação de notas após a realização das provas para beneficiar candidatos específicos. Entre os crimes investigados estão fraude em certame público, falsidade ideológica, corrupção passiva, frustração do caráter competitivo de licitação e possível associação criminosa. Por isso, outros concursos realizados pela mesma empresa passaram a ser analisados — o MPMG ainda precisa concluir se houve irregularidades nos demais certames, incluindo o de Colíder.
Perguntas em aberto: A junção dos dois fatos — o cancelamento por descumprimento contratual e a investigação do MPMG envolvendo a mesma empresa — torna necessário aprofundar a apuração local. A explicação da Câmara esclarece o motivo imediato do cancelamento, mas não responde a uma pergunta anterior: quais verificações foram feitas antes da contratação da CAP Concursos. Entre os pontos que ainda precisam de esclarecimento:
- Quais critérios foram usados na contratação da empresa;
- Quais documentos de habilitação e atestados de capacidade técnica foram apresentados e analisados;
- Se havia registros públicos anteriores envolvendo a empresa;
- Como foi feita a fiscalização do contrato ao longo do certame;
- Quanto foi contratado, empenhado e pago;
- Quais providências serão tomadas em relação aos candidatos, incluindo eventual restituição de taxas.
Para os candidatos, o problema não se resume à taxa de inscrição: houve preparação, estudo e expectativa. Muitos dedicaram semanas ou meses ao concurso.

O espaço segue aberto: A Câmara Municipal de Colíder já se manifestou sobre o motivo do cancelamento do certame. A reportagem segue à disposição do Legislativo para esclarecer os demais pontos ainda pendentes — critérios de contratação da CAP Concursos, fiscalização do contrato e providências em relação aos candidatos — e este espaço será atualizado assim que novas informações forem enviadas.
Página do Nortão vai acompanhar
O Página do Nortão continuará acompanhando o caso, buscando documentos e ouvindo a Câmara Municipal de Colíder, a empresa organizadora, os candidatos e os órgãos de fiscalização. O objetivo não é antecipar condenações, mas buscar a verdade. Se novos documentos apontarem irregularidade específica no concurso de Colíder, isso será informado — assim como será informado caso a apuração conclua que não houve qualquer problema no certame local. Com recursos públicos e a expectativa de candidatos envolvidos, transparência é um dever com a população.
Foto: Reprodução (web)





