Decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso muda o local do julgamento do duplo homicídio ocorrido em Peixoto de Azevedo; processo envolve mãe, filho e cunhado
Redação: Pagina do Nortão
COLÍDER/PEIXOTO DE AZEVEDO/SINOP — Um dos casos criminais que mais repercutiram no Norte de Mato Grosso terá um novo cenário para o julgamento. O Tribunal de Justiça de Mato Grosso decidiu, por unanimidade,

que o Tribunal do Júri que analisará o caso envolvendo Inês Gemilaki, o filho dela, o médico Bruno Gemilaki Dal Poz, e Éder Gonçalves Rodrigues será realizado em Sinop, e não em Peixoto de Azevedo, onde ocorreu o crime.
A mudança foi determinada após pedido de desaforamento apresentado pela defesa de Bruno. O entendimento foi de que havia dúvida fundada sobre a imparcialidade dos jurados de Peixoto de Azevedo diante da enorme repercussão do caso e da relação das vítimas com a comunidade local.
Caso teve repercussão em todo o Nortão
O crime aconteceu em 21 de abril de 2024, durante uma confraternização em uma residência de Peixoto de Azevedo. Segundo a denúncia, os acusados teriam entrado no imóvel e efetuado disparos de arma de fogo.
Os tiros provocaram a morte de Pilson Pereira da Silva e Rui Luiz Bogo. O padre José Roberto Domingos e Erneci Afonso Lavall também foram atingidos durante o ataque.
Desde então, o caso passou a ser acompanhado de perto não apenas pelos moradores de Peixoto de Azevedo, mas por diversas cidades do Nortão, incluindo Colíder, Sinop, Matupá, Alta Floresta e outros municípios da região.
A investigação e as imagens registradas no dia do crime fizeram o episódio ganhar repercussão muito além de Mato Grosso. Na época, Inês e Bruno chegaram a ser procurados pela polícia antes de se apresentarem às autoridades. Inês foi encaminhada para a Cadeia Pública Feminina de Colíder.

Por que o julgamento saiu de Peixoto de Azevedo?
Na análise do pedido, o Tribunal considerou que a realização do júri em Peixoto poderia colocar em dúvida a imparcialidade dos jurados.
Entre os fatores considerados estão a repercussão nacional do caso, o tamanho da população do município e a importância das vítimas para a comunidade.
O padre José Roberto Domingos, uma das pessoas atingidas, possui forte vínculo com a comunidade católica local. Já Rui Luiz Bogo foi apontado no processo como pioneiro e fundador de Peixoto de Azevedo.
Diante desse conjunto de circunstâncias, prevaleceu o entendimento de que seria mais adequado transferir o julgamento para outra comarca.
Inês está presa em Colíder: A decisão também chama a atenção dos moradores de Colíder porque Inês Gemilaki permanece ligada à cidade por estar custodiada na unidade prisional feminina local.
A prisão de Inês em Colíder ocorreu logo após sua apresentação às autoridades, em abril de 2024. Na ocasião, ela foi encaminhada para a unidade prisional do município, enquanto o filho Bruno ficou inicialmente custodiado em outra unidade.
Filho de Inês também será julgado: Bruno Gemilaki Dal Poz, médico e filho de Inês, também está entre os réus que serão submetidos ao Tribunal do Júri. Éder Gonçalves Rodrigues completa o grupo de acusados.
A Justiça já havia determinado que os três fossem levados a júri popular. A decisão de pronúncia foi mantida durante o andamento do processo, deixando o caso apto para a fase de julgamento.
Em julho deste ano, outro capítulo envolvendo o caso também ganhou destaque. A Justiça de Mato Grosso condenou Inês, Bruno e Éder, na esfera cível, ao pagamento de R$ 267,9 mil em indenização ao proprietário da residência invadida durante o ataque. O valor inclui danos materiais e morais.
Essa decisão, porém, é independente do julgamento criminal pelo Tribunal do Júri.

Sinop será o novo palco do julgamento: Com a decisão do Tribunal de Justiça, o processo deverá ser encaminhado para a comarca de Sinop, que ficará responsável pelos procedimentos necessários para a realização da sessão do Tribunal do Júri.
A data do julgamento ainda deverá ser definida pela Justiça.
A transferência para Sinop coloca o caso novamente no centro das atenções do Nortão. Para moradores de Colíder, a decisão ganha um significado ainda maior pela presença de Inês no sistema prisional do município desde o início do processo.
Um caso que marcou o Nortão: O episódio ocorrido em Peixoto de Azevedo permanece entre os casos policiais de maior repercussão dos últimos anos na região. Além das duas mortes, o ataque deixou pessoas feridas e gerou uma investigação que ultrapassou as fronteiras do município.
Agora, com a transferência do Tribunal do Júri para Sinop, o caso entra em uma nova etapa, que deverá ser acompanhada atentamente por moradores de Peixoto de Azevedo, Colíder, Sinop e de outras cidades do Norte de Mato Grosso.
O Portal Página do Nortão continuará acompanhando os próximos passos do processo e trazendo aos leitores da região as informações confirmadas pela Justiça sobre a definição da data e os desdobramentos do julgamento.
Importante: os acusados respondem ao processo e têm direito à ampla defesa e ao contraditório. A decisão sobre a responsabilidade criminal será tomada pelo Tribunal do Júri. Foto: Reproduçõa (web)





