Redação: Pagina do Nortão

A Justiça determinou o bloqueio e o arresto de ativos financeiros superiores a R$ 2,9 milhões durante a segunda fase da Operação Gomorra, deflagrada na manhã desta terça-feira (1º) pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). A ação investiga um suposto esquema de fraudes em licitações e contratos públicos nos municípios de Campo Verde e Cuiabá.
Entre as medidas cumpridas estão mandados de busca e apreensão contra o prefeito de Campo Verde, Alexandre Lopes de Oliveira, além do afastamento cautelar do secretário municipal de Obras, Rubens Anunciação Júnior.
A investigação é conduzida pelo Núcleo de Ações de Competência Originária Criminal e apura um suposto esquema estruturado de fraudes em processos licitatórios e na execução de contratos firmados com a administração pública.
Medidas judiciais
Ao todo, a Justiça autorizou:
- Oito mandados de busca e apreensão;
- Uma ordem de afastamento de sigilo fiscal;
- Quebra de sigilo telemático;
- Quatro afastamentos cautelares de servidores públicos;
- Treze ordens de indisponibilidade de bens.

Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos R$ 17 mil em dinheiro na residência de um dos investigados.
As diligências ocorreram simultaneamente em Cuiabá e Campo Verde. Na capital, os alvos foram residências e empresas ligadas aos investigados. Em Campo Verde, as equipes realizaram buscas na Prefeitura Municipal e nas casas de dois servidores públicos.
A operação contou com apoio da Polícia Civil de Mato Grosso, da Controladoria-Geral do Estado de Mato Grosso e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado.
Investigação teve início em 2024: De acordo com o Ministério Público, esta é a segunda etapa da Operação Gomorra, que busca reunir novas provas e identificar a participação de servidores públicos e particulares no suposto esquema.
A primeira fase da operação, realizada em 2024, investigou irregularidades semelhantes no município de Barão de Melgaço. Conforme o MPMT, auditorias identificaram indícios de adulteração de notas fiscais, utilização irregular de um chamado “cartão coringa” para desvio de combustíveis e superfaturamento em contratos firmados entre 2020 e 2024 com a empresa Centro América Frotas.

Prefeito afirma que prefeitura colaborou com as investigações
Em entrevista ao portal Plantão da Notícia, o prefeito Alexandre Lopes afirmou que a Prefeitura de Campo Verde acompanha o caso desde 2024, quando o Ministério Público solicitou que municípios que haviam aderido à ata de registro de preços da empresa investigada realizassem levantamentos internos.
Segundo o prefeito, a Unidade de Controle Interno da prefeitura produziu relatórios e encaminhou toda a documentação ao Ministério Público, além de instaurar procedimentos administrativos para apurar eventuais irregularidades.
O chefe do Executivo também declarou que a administração mantém uma política de fiscalização interna e que o afastamento do secretário de Obras e de outros servidores é uma medida cautelar comum em investigações, destinada a preservar a transparência e garantir o andamento das apurações.
Até o momento, o Ministério Público continua as investigações e não há decisão judicial definitiva sobre a responsabilidade dos envolvidos.





