Redação: Pagina do Nortão
Delegado da Derf afirma que nunca viu descontrole do investigador acusado; defesa insiste em tese de ameaça antes dos disparos

Foto: Reprodução(web) – O segundo dia do julgamento do investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, acusado de matar o policial militar Thiago de Souza Ruiz, em Cuiabá, trouxe novos detalhes sobre o caso que repercute em todo o Nortão de Mato Grosso e mobiliza atenção de moradores de Colíder e região.
Uma das principais testemunhas ouvidas nesta quarta-feira (13) foi o delegado José Ricardo, da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf). Durante depoimento ao Tribunal do Júri, ele descreveu o investigador acusado como uma pessoa tranquila e afirmou nunca ter presenciado episódios de agressividade ou descontrole por parte de Mário Wilson.
Segundo o delegado, mesmo em confraternizações entre colegas da Polícia Civil, onde havia consumo de bebida alcoólica, o investigador sempre manteve comportamento equilibrado.
“Mário é pai de família, casado, com filhos. Nunca vi qualquer tipo de descontrole ou problema causado por ele”, declarou durante o julgamento.

O delegado também negou ter conhecimento sobre qualquer possível envolvimento do acusado com drogas. Ao ser questionado sobre uma suposta rivalidade entre policiais civis e militares em Mato Grosso, José Ricardo afirmou que não existe uma rixa direta entre as categorias, mas sim o que classificou como “vaidade institucional”.
“Existem muitos policiais civis e militares que são amigos e se ajudam. O que existe é mais uma questão institucional”, afirmou.
Defesa apresenta documento sobre arma do PM: Outro ponto que chamou atenção durante a sessão foi a apresentação, pela defesa, de um relatório diário da Polícia Militar datado de abril de 2023. O documento indicaria que o cabo Thiago Ruiz portava um revólver calibre 38 com munições autorizadas pela corporação.
Os advogados do investigador tentam utilizar o relatório para sustentar a legalidade do porte da arma do policial militar no momento da ocorrência. Entretanto, o delegado ouvido em plenário ponderou que o documento, sozinho, não seria suficiente para comprovar oficialmente a regularidade do armamento.
Segundo ele, seria necessário verificar registros internos da corporação e sistemas oficiais de cadastro da arma.

Clima tenso marcou o julgamento em Cuiabá: O júri popular teve início ainda na terça-feira (12) e foi marcado por momentos de forte emoção, embates entre defesa e acusação e depoimentos considerados decisivos para o andamento do processo.
Entre os relatos mais importantes esteve o do delegado André Monteiro, responsável pelas investigações iniciais. Durante os questionamentos da defesa, ele confirmou que uma das hipóteses investigadas era de que Mário Wilson teria atirado após desconfiar que Thiago não era policial militar.
Outro detalhe revelado durante o julgamento aponta que Thiago Ruiz teria tentado recuperar sua arma antes dos disparos.
Questionado sobre o que poderia ter levado o investigador a efetuar os tiros, André Monteiro respondeu que o acusado pode ter se sentido ameaçado.
O caso segue sendo acompanhado de perto em Mato Grosso, inclusive por leitores do Nortão e de Colíder, devido à grande repercussão envolvendo agentes das forças de segurança pública.
O julgamento continua nesta quarta-feira no Tribunal do Júri de Cuiabá. Mais informações e atualizações sobre os principais acontecimentos policiais e regionais você acompanha no Página do Nortão.





