Redação: Pagina do Nortão

A situação da Usina Hidrelétrica de Colíder (UHE Colíder) voltou a ganhar destaque no Nortão de Mato Grosso. O reenchimento do reservatório da usina, instalada no rio Teles Pires, agora está sob acompanhamento direto do Poder Judiciário.
A Justiça determinou que a empresa responsável pelo empreendimento apresente, no prazo de 10 dias, toda a documentação técnica atualizada referente ao plano de reenchimento do lago. O material será analisado pelo Ministério Público de Mato Grosso, que avaliará a possibilidade de um novo Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).
A decisão foi tomada após audiência que reuniu representantes das empresas responsáveis pelo empreendimento, órgãos ambientais e o Estado.

Segurança da barragem: de “Alerta” para “Atenção”
Durante a audiência, foi informado que o nível de segurança da barragem passou da condição de “Alerta” para “Atenção”, classificação semelhante à registrada em 2022.
O reenchimento do reservatório teve início no dia 23 de fevereiro e deve ocorrer de forma gradual, com previsão aproximada de 28 dias para conclusão.
A Justiça também determinou que a Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso apresente toda a documentação relacionada à autorização ambiental do procedimento.
Problemas estruturais marcaram 2025: Desde agosto de 2025, a barragem vinha operando sob nível de segurança classificado como “Alerta”, após danos identificados em drenos essenciais para aliviar a pressão hidráulica da estrutura.
Como medida emergencial, foi adotado o chamado deplecionamento do reservatório, procedimento que reduziu drasticamente o nível da água para diminuir riscos estruturais.
No entanto, essa medida trouxe impactos ambientais severos.
Impactos ambientais no rio Teles Pires: O rebaixamento do nível da água provocou:
- Mortandade superior a 1.500 peixes em 2025
- Alterações significativas na qualidade da água
- Prejuízos à biodiversidade aquática e semiaquática
- Impactos sobre espécies migratórias
- Reflexos diretos em comunidades ribeirinhas e povos indígenas
O histórico da usina já registra episódios anteriores de grande impacto ambiental, incluindo a mortandade de aproximadamente 52 toneladas de peixes em diferentes ocorrências ao longo dos anos.
Esses fatos colocaram a UHE Colíder no centro de debates ambientais no Nortão, gerando preocupação em municípios como Colíder, Itaúba, Nova Canaã do Norte e Cláudia.
Ministério Público avalia novo TAC: Com a mudança do cenário — especialmente o início do reenchimento — as autoridades querem avaliar se será necessário ajustar cláusulas de acordos anteriores.
O Ministério Público de Mato Grosso analisará os documentos técnicos para decidir se há viabilidade de um novo TAC envolvendo a empresa responsável pela hidrelétrica.
Em momentos anteriores, diante do histórico ambiental, chegou-se a cogitar medidas mais severas, incluindo a possibilidade extrema de desativação da usina — hipótese que hoje não está oficialmente em pauta, mas que demonstra o grau de preocupação já existente.

A importância da UHE Colíder para o Nortão
Em operação desde 2019, a UHE Colíder possui:
- Potência instalada de 300 megawatts
- Reservatório com 168,2 km² de área
- Aproximadamente 94 km de extensão
O empreendimento impacta diretamente quatro municípios do Nortão de Mato Grosso: Colíder, Cláudia, Itaúba e Nova Canaã do Norte.
Página do Nortão acompanha o caso: O reenchimento do reservatório da UHE Colíder é um tema que envolve segurança estrutural, meio ambiente e desenvolvimento regional. A situação é acompanhada com atenção pela população de Colíder e de todo o Nortão.
A Página do Nortão seguirá monitorando o caso e trará novas atualizações assim que houver manifestação oficial das autoridades e órgãos envolvidos.




