Por: Joel de Aquino – Pagina do Nortão

Foto – Reprodução
Uma polêmica tomou conta das conversas em Colíder nos últimos dias após circular, em grupos de WhatsApp, a informação de que a Prefeitura estaria analisando a construção de um novo cemitério municipal. A área onde ele supostamente seria instalado foi adquirida ainda na gestão anterior, com a promessa de que seria destinada à construção de casas populares — o que já causou controvérsias na época.
Agora, além da mudança da finalidade do terreno, surgem rumores de que o novo cemitério poderia ser privatizado, cenário que vem dividindo opiniões entre moradores, lideranças comunitárias e representantes políticos.
Questão ambiental traz nova camada ao debate
Um ponto que reacendeu a discussão é a proximidade tanto do cemitério atual quanto da possível nova área com o Rio Carapá, rio que abastece a cidade de Colíder.
- O cemitério atual está localizado a aproximadamente 500 metros do Rio Carapá.
- A captação de água da cidade também é feita no Rio Carapá.
- A área onde poderia ser construído o novo cemitério fica a uma distância semelhante do rio (aprox. 500 metros), porém em um local diferente ao do cemitério atual.
Moradores que se manifestaram nas redes sociais e grupos de WhatsApp destacam que, por se tratar do mesmo rio que abastece a população, qualquer intervenção próxima ao Carapá exige estudos rigorosos de impacto ambiental e risco sanitário antes de qualquer decisão definitiva.
Área já foi alvo de investigação no passado
A área em questão foi alvo de investigações por órgãos de controle após denúncias feitas por vereadoras na gestão passada, que apontaram possíveis irregularidades na aquisição do terreno.
O assunto, que havia esfriado, voltou ao centro do debate com força após o surgimento da possibilidade de instalação do novo cemitério.
Privatização: entenda os prós e os contras
A ideia de privatizar serviços funerários não é novidade no Brasil, mas em cidades de pequeno porte, como Colíder, o tema costuma gerar preocupação, especialmente entre as famílias de baixa renda.
A seguir, um panorama equilibrado sobre o debate:
PONTOS POSITIVOS citados pelos defensores da privatização
- Redução de gastos públicos
Com a concessão, custos de manutenção, limpeza, ampliação e operação passam para a empresa privada, liberando recursos para outras áreas prioritárias.
- Maior eficiência na gestão
Empresas especializadas costumam operar com mais agilidade, menos burocracia e melhor estrutura administrativa.
- Solução para possível falta de vagas
Se o cemitério atual estiver perto da capacidade, a iniciativa privada poderia viabilizar expansão, novas quadras ou até crematório.
- Serviços potencialmente mais baratos
Defensores afirmam que, com regras claras, alguns serviços podem ter redução de preços ou mais opções para as famílias.
PONTOS NEGATIVOS apontados pelos críticos
- Risco de aumento de custos para a população
O maior receio é que sepultamentos, jazigos, taxas e serviços se tornem mais caros para as famílias — especialmente as de baixa renda.
- Empresas que lucram sem deixar benefícios locais
Moradores lembram de experiências ruins em outros setores terceirizados que trouxeram mais lucro às empresas do que melhorias para a cidade.
- Comparações com problemas em eventos terceirizados
Alguns citam exemplos recentes de serviços terceirizados, incluindo eventos públicos, em que houve alta de preços e questionamentos.
- Impacto social para famílias vulneráveis
Apesar da existência do enterro social, muitos temem que a privatização dificulte o acesso ou torne o processo mais burocrático.
- Preocupação ambiental reforçada
Como tanto o cemitério atual quanto a possível nova área ficam próximos do mesmo rio, moradores defendem que o município deve priorizar a segurança do abastecimento de água antes de qualquer decisão.
Como funciona o Enterro Social em Colíder
O enterro social é um programa de assistência que ajuda famílias de baixa renda a custear serviços funerários.
Como solicitar:
O interessado deve procurar o CRAS, CREAS ou a Secretaria de Assistência Social da Prefeitura, apresentando documentos pessoais e comprovante de renda.
O que ainda não está confirmado
Até o momento, não há clareza oficial sobre:
- se um novo cemitério realmente será construído na área mencionada,
- se haverá privatização dos serviços funerários,
- quais regras seriam aplicadas em uma eventual concessão,
- como ficariam as garantias sociais para famílias de baixa renda,
- e se já foram solicitados estudos ambientais e sanitários sobre a área.
A falta de informações oficiais é o principal combustível para os rumores que circulam nas redes sociais.
Conclusão
A discussão sobre o novo cemitério e sua possível privatização envolve temas sensíveis:
meio ambiente, abastecimento de água, assistência social, orçamento público e impacto direto nas famílias mais pobres.
Para uma decisão tão importante, espera-se que o município apresente:
- estudos técnicos completos,
- transparência total nas etapas,
- garantia de proteção ao Rio Carapá e à captação de água,
- e respeito às necessidades da população.
Enquanto isso, a comunidade aguarda um posicionamento oficial que esclareça o destino do serviço funerário em Colíder.
Por: Joel de Aquino – Pagina do Nortão




