Por: Lidia Maximo – Pagina do Nortão
Foto- Reprodução
Antônio Nunes passou a vida inteira com um vazio que nada parecia preencher. Em 1980, ainda criança, viu seus dois irmãos mais novos serem entregues para adoção. A mãe, sem condições de criá-los, tomou uma decisão que o marcaria para sempre. Sem nomes, sem pistas, sem sequer uma fotografia, restou-lhe apenas a promessa de que, um dia, os reencontraria.
Criado pela avó, ele transformou essa dor em determinação. E encontrou um irmão. Mas o destino ainda guardava uma revelação capaz de desafiar qualquer lógica.
Décadas depois, Jefferson Greueli, um dos irmãos, descobriu sua verdadeira história após a morte de seu pai adotivo. A mãe adotiva, enfim, revelou que ele tinha uma família biológica. O primeiro reencontro foi emocionante. Mas a felicidade ainda não estava completa: o irmão caçula continuava desaparecido.
A busca foi exaustiva. Sem registros claros no sistema de adoção, a única pista veio de uma antiga cabeleireira da rodoviária. Ela não se lembrava de nomes, mas recordava de um detalhe crucial: o pai adotivo do menino se chamava João.
Por um fio de esperança, souberam que o irmão perdido havia sido visto votando em Blumenau. Ele ainda estava na cidade! Mas onde? Quem era?
O que Antônio não poderia imaginar é que a resposta para esse mistério sempre esteve ali. Bem ao seu lado.
Por dez anos, Maicon Luciani foi seu funcionário. Um homem de confiança, um amigo de longa data. Mas apenas uma conversa despretensiosa, durante uma viagem de negócios, revelou a verdade que o tempo escondeu.
“Meu sobrenome de origem era Nunes… Mas fui adotado ainda bebê”, contou Maicon.
O mundo parou. O silêncio tomou conta. O sangue de Antônio gelou.
“A adoção foi intermediada por uma cabeleireira da rodoviária”, acrescentou Maicon.
O coração de Antônio disparou. O que parecia impossível, naquele instante, tornou-se real.
“Você é meu irmão, cara!”, ele gritou, com a voz embargada.
Maicon ficou em choque. Negação, incredulidade, emoção. Mas os fatos não deixavam dúvidas. Tudo fazia sentido.
O telefone de Jefferson tocou. Do outro lado da linha, Antônio não conseguia conter a voz trêmula:
— Encontramos ele!
Foi um choro longo. Um alívio que só quem carrega a saudade por uma vida inteira pode compreender.
Dias depois, o trio se reuniu para um churrasco. Não era apenas uma comemoração. Era um momento de redenção. Uma história que poderia ter ficado perdida no tempo, mas que encontrou seu desfecho da maneira mais improvável – e emocionante – possível.
“A vida é uma caixinha de surpresas”, diz Antônio, com o coração, enfim, completo.
Por: Lidia Maximo – Pagina do Nortão