Entre Copos e Palavras: Um Dia na Cobal do Leblon

Entre Copos e Palavras: Um Dia na Cobal do Leblon

Por: Recic@gem – Pagina do Nortão

“Formei-me em Letras e na bebida busco esquecer.”

Se há algo que distingue os humanos dos outros animais, além da consciência e da tecnologia, é a arte de transformar necessidades básicas em rituais sofisticados. Comer e comunicar são duas dessas funções primordiais que elevamos ao nível da arte. Entre goles e garfadas, tecemos histórias, moldamos identidades e criamos laços.

Na famosa Cobal do Leblon, um reduto boêmio carioca, uma mesa reúne nomes que dispensam apresentações: Hugo Carvana, João Ubaldo Ribeiro, Millôr Fernandes, Luís Fernando Verissimo, Tom Jobim e Paulo Casé. Um elenco de primeira grandeza, embalado pelo burburinho do mercado, pelo tilintar dos copos e pelo tempero da conversa boa.

Era ali que, entre petiscos e tragos, a cultura se misturava ao cotidiano, onde frases soltas podiam virar aforismos eternos e histórias contadas de improviso talvez se transformassem em crônicas memoráveis. João Ubaldo, com seu humor corrosivo, poderia lançar uma reflexão sobre os males e delícias da boemia. Millôr, afiado como sempre, talvez soltasse uma tirada irreverente sobre política ou filosofia. Tom Jobim, quem sabe, observasse a cena com aquele olhar de quem entendia que o Brasil cabia dentro de um samba e de um copo bem servido.

A foto de Sônia Meneghetti captura mais do que um instante: eterniza um pedaço da alma carioca. Entre goles e risadas, fica a certeza de que algumas mesas jamais deveriam se desfazer. Afinal, a vida, no fundo, é isso: boa companhia, comida farta, bebida à altura e histórias que nunca morrem.

Por: Recic@gem – Pagina do Nortão
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